terça-feira, 16 de março de 2010

Vidas Adiadas. Cicatrizes Permanentes.

"As associações de defesa das vítimas de abusos sexuais pediram a demissão do cardeal Sean Brady, primado da Igreja Católica na Irlanda.

Brady é acusado de ocultar do público casos de pedofilia que começaram em 1975, e de ter pedido às vítimas votos de silêncio.

Sean Brady defende-se: “Não tentámos abafar o caso. Acreditei nas vítimas. Disse ao bispo o que tinha acontecido e actuámos. Pensei no que se passou e no trabalho que fizemos para garantir a segurança das crianças ao longo dos anos e, francamente, a demissão não está na ordem do dia.”

Este é o antigo padre que agrediu sexualmente 20 crianças durante 40 anos. Brendan Smyth foi detido em 94. Morreu na prisão em 97, com 70 anos.

O bispo Brady disse no passado que se demitiria se demonstrassem que houve má gestão durante o processo. As associações de defesa das vítimas de abusos sexuais não aceitam esta situação.

Colm O’Gorman, fundador da Associação One in Four, que apoia vítimas de abusos sexuais: “O bispo Sean Brady sabia que as crianças diziam a verdade, mas simplesmente passou a informação ao seu superior e não fez mais nada durante 18 anos. E enquanto subia na hierarquia da igreja, Brendam Smyth continuava a violar e abusar crianças.”

O bispo da Irlanda afirma que apenas deixa o cargo se o Papa assim o entender.

Bento XVI, de acordo com um porta-voz, está determinado a lutar contra a escalada de casos de pedofilia nas suas igrejas, já que além da Irlanda, novos casos foram denunciados nos últimos dias na Alemanha, na Áustria, na Holanda e na Suíça.

Um autêntico escândalo internacional que está a enfraquecer a posição do Vaticano na sociedade e a manchar as escolas dirigidas pela Igreja Católica. "


40 anos.. 40 anos de abusos sexuais, psicológicos, morais... 40 anos de vidas adiadas, quem sabe arruinadas, para as 20 crianças que Brendan Smyth molestou.
A viagem destas crianças foi interrompida de uma forma cruel, indecente, intolerável, indescritível. Quem tem o direito de retirar a pureza e inocência de uma criança desta forma tão bárbara? Pior (ou não), que tipo de ser humano esconde estes factos do público e ainda pede votos de silêncio ás vítimas? Qual será o castigo "justo" para estas "pessoas"? Porque é que me parece que há determinadas pessoas que têm uma grande probabilidade de sairem impunes?
Se realmente se confirmarem todos estes factos, de informações ocultas e escondidas, penso que ninguém deve ficar indiferente, tratando-se ainda por cima de membros da Igreja Católica que serve de modelo para grande parte da população mundial e que, por isso, tem mais do que o dever de dar o exemplo em diversos sentidos. Não digo que os que pertencem à Igreja não sejam "humanos" como todos nós, no entanto, com todos os valores que a Igreja defende tão afincadamente, é absolutamente inadmissível que, se se confirmarem estes factos, um membro da Igreja Católica tenha escondido informações deste carácter e, outro, tenha molestado durante 40 anos crianças atrás de crianças.
Face a estas notícias que têm invadido as notícias a que todos nós assistimos não consigo dizer muito mais.
Acho, no entanto, bom que todos nós tiremos um tempinho para reflectir sobre estes casos, sobre o facto de estas crianças nunca mais poderem ser as mesmas e sobre o facto de que basta uns instantes para se retirar a "pureza" a alguém, mas que será preciso uma vida(?) para tentar cicatrizar a ferida.
E a cicatriz vai sempre ficar feia, não apenas uma linha perfeita na pele destas crianças...

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