"A “Pérola do Atlântico” foi devastada pelas chuvas torrenciais e pela lama, o terreno aluiu, levando casas, pessoas e gado atrás.
As circunstácias meteorológicas eram extremas: 11 horas contínuas de chuva equivalente ao total de um mês de precipitação. Mas os arquitectos urbanistas e os ecologistas colocam o dedo na ferida: 30 anos de construção acelerada terão impulsionado o desenvolvimento em detrimento do ambiente e das regras de segurança num território tão pequeno.
A ilha da Madeira tem apenas 57 km de comprimento por 22 km de largura.
Tem 250 mil habitantes, 100 mil dos quais, concentrados no Funchal. Quatro vias rápidas atravessam a ilha, com dezenas de túneis e muitas nascentes e ribeiras. Como explica Helder Spínola, da Quercus:
“Perto das vias de circulação periféricas, há muitos serviços implantados, como centros de saúde, quarteis de bombeiros e outros edifícios públicos e privados. Tudo situado em zonas de risco junto aos rios”.
A construção em massa de prédios e estradas junto aos rios, provocou a impermeabilização do solo, impedindo o escoamento normal das águas. Os especialistas alertam para a necessidade de investimento para prevenir este género de acontecimentos.
Filipe Duarte Santos, meteorologista:
“No passado, havia muitas florestas na parte mais alta da Madeira. As árvores tinham uma função muito importante de retenção das águas. É necessário estabelecer zonas protegidas e respeitar o enquadramento dos rios para poder prevenir situações como esta, e mesmo levantar barreiras”.
Todos os anos a população da ilha atinge o auge com o turismo e as visitas dos emigrantes, por altura das festas de fim de ano, “festa da flor”, carnaval e verão. O clima e as infraestruturas ultramodernas, construídas à beira-mar, são um atractivo enorme para os europeus do norte e a europa financiou, em grande parte, o desenvolvimento dos últimos 30 anos."
Fonte: http://www.euronews.net/
Vi há uns dias num programa de televisão, que há uns anos atrás foi feita uma reportagem na Madeira sobre as más construções de infraestruturas que lá existem. Falava-se também das consequências que poderiam advir se uma catástrofe natural (cheias, tempestades..) acontecesse neste territorio, devido precisamente às más construções de que falei anteriormente.
Uma reportagem muito clara e esclarecedora, que alertava em alta voz para a necessidade de se ter em atenção o facto de o desenvolvimento desmedido estar a tomar um lugar cimeiro na lista de prioridades dos governantes do arquipélago, em detrimento da segurança dos madeirenses e dos seus bens.
Ora, se olharmos para a actualidade o que verificamos é que, infelizmente, uma catástrofe natural aconteceu. Na Madeira. Verificamos também que as consequências foram verdadeiramente devastadoras. Mortes, destruição, tristeza, desespero... são palavras que não chegam para descrever o cenário que por lá se viveu. Como dizem os madeirenses, nem as imagens que chegam ao Continente chegam para se perceber o que aquelas pessoas estão a viver.
É certo que nenhum continente, país ou cidade está verdadeiramente preparado para "receber" uma catátrofe desta dimensão (que comparadas com outras, desculpem, mas não é "nada de especial"..) mas, a pergunta que coloco é: será que não se poderiam ter evitado alguna danos, se as construções não tivessem sido feitas numa quantidade desmedida mas sim com qualidade? Não se poderiam ter poupado algumas vidas?
Nunca vamos saber a resposta concreta para estas perguntas. De qualquer forma acho que todos, principalmente os nosso governantes, os nossos construtores, deveriam tirar uma lição desta tragédia que assolou centenas de madeirenses.
Construir em quantidade talvez não seja, MESMO, a melhor solução.
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