quarta-feira, 17 de março de 2010

Lady


"Anualmente, uma média de 4900 animais abandonados dá entrada nas associações protectoras dos animais do país. Este número fica muito abaixo da realidade, pois não há uma estatística oficial, nem um controlo dos que dão entrada nos canis municipais. A situação é considerada preocupante. O início das férias, o fim da época de caça e os dois ou três meses após o Natal são os períodos em que mais animais são deixados à sua sorte.



O abandono decorre "do facto de as pessoas não conhecerem e não praticarem os direitos dos animais", afirmou Duarte Lopes, presidente do Clube Rotary de Bragança e veterinário, que ontem participou num seminário sobre o tema, naquela cidade, para sensibilizar a população para este problema.


Naquela região há muitos casos de abandono de animais, o que poderá estar relacionado com o facto de a maior parte dos municípios não ter um política activa de captura de animais, nem uma política de campanhas de adopção para os capturados. "A recolha devia ser feita pelas câmaras, muitas não têm um centro de recolha oficial", afirmou Gonçalo Pereira, professor na Universidade Lusófona."



Ora hoje não vou escrever sobre assuntos da mais "recente actualidade" mas sim de um assunto de todos os dias. Ou pelo menos que deveria estar presente nas nossas vidas, no nosso pensamento um bocadinho todos os dias.

Como se pode ler no excerto em cima, milhares de cães são abandonados todos os anos. Ou porque os donos foram de férias e não tinham onde por os animais, ou porque acabou a época de caça ou simplesmente porque as pessoas se dão conta que ter um animal requer cuidados, paciência e carinho que muitas delas talvez não saibam dar.

Realmente cuidar de um animal não é fácil. Seja ele um cão, um gato, um pássaro ou qualquer outro animal. Mas talvez o que estas pessoas, as que os abandonam portanto, não saibam é o quanto é gratificante receber o que um animal nos dá em troca. Eles também cuidam de nós. Fazem-nos companhia, dão-nos carinho, sentem a nossa falta, ficam felizes conosco, percebem a nossa tristeza e muitos deles chegam a salvar a vida aos donos.

Sei que todos vocês devem estar fartos de ouvir sempre as mesmas palavras : "não abandonem os animais", "antes de ir comprar/adoptar um animal pense bem...". No entanto, estas palavras são mesmo importantes e devem ser alvo da nossa reflecção. De facto, hoje em dia ter um cãozinho, um gatinho ou um piriquito está na moda. Cuidar deles é que pelos vistos não está.

Sendo assim, e falando como "dona" de dois cães, digo mais uma vez: não abandonem os vossos animais, não lhes dêem tudo se não for para sempre, eles sofrem e sentem como nós e por isso mereçem ser respeitados e amados como nós. Não comprem um cão só porque se sentem sós, não comprem um gato só porque querem mostrar aos amigos... e de preferência não comprem, dirijam-se, por exemplo, a um canil e escolham um cão...porque cães "bonitos" toda a gente os quer.

Fica o apelo!

terça-feira, 16 de março de 2010

Quantidade vs. Qualidade

"A “Pérola do Atlântico” foi devastada pelas chuvas torrenciais e pela lama, o terreno aluiu, levando casas, pessoas e gado atrás.

As circunstácias meteorológicas eram extremas: 11 horas contínuas de chuva equivalente ao total de um mês de precipitação. Mas os arquitectos urbanistas e os ecologistas colocam o dedo na ferida: 30 anos de construção acelerada terão impulsionado o desenvolvimento em detrimento do ambiente e das regras de segurança num território tão pequeno.

A ilha da Madeira tem apenas 57 km de comprimento por 22 km de largura.

Tem 250 mil habitantes, 100 mil dos quais, concentrados no Funchal. Quatro vias rápidas atravessam a ilha, com dezenas de túneis e muitas nascentes e ribeiras. Como explica Helder Spínola, da Quercus:
“Perto das vias de circulação periféricas, há muitos serviços implantados, como centros de saúde, quarteis de bombeiros e outros edifícios públicos e privados. Tudo situado em zonas de risco junto aos rios”.

A construção em massa de prédios e estradas junto aos rios, provocou a impermeabilização do solo, impedindo o escoamento normal das águas. Os especialistas alertam para a necessidade de investimento para prevenir este género de acontecimentos.

Filipe Duarte Santos, meteorologista:
“No passado, havia muitas florestas na parte mais alta da Madeira. As árvores tinham uma função muito importante de retenção das águas. É necessário estabelecer zonas protegidas e respeitar o enquadramento dos rios para poder prevenir situações como esta, e mesmo levantar barreiras”.

Todos os anos a população da ilha atinge o auge com o turismo e as visitas dos emigrantes, por altura das festas de fim de ano, “festa da flor”, carnaval e verão. O clima e as infraestruturas ultramodernas, construídas à beira-mar, são um atractivo enorme para os europeus do norte e a europa financiou, em grande parte, o desenvolvimento dos últimos 30 anos."



Vi há uns dias num programa de televisão, que há uns anos atrás foi feita uma reportagem na Madeira sobre as más construções de infraestruturas que lá existem. Falava-se também das consequências que poderiam advir se uma catástrofe natural (cheias, tempestades..) acontecesse neste territorio, devido precisamente às más construções de que falei anteriormente.

Uma reportagem muito clara e esclarecedora, que alertava em alta voz para a necessidade de se ter em atenção o facto de o desenvolvimento desmedido estar a tomar um lugar cimeiro na lista de prioridades dos governantes do arquipélago, em detrimento da segurança dos madeirenses e dos seus bens.

Ora, se olharmos para a actualidade o que verificamos é que, infelizmente, uma catástrofe natural aconteceu. Na Madeira. Verificamos também que as consequências foram verdadeiramente devastadoras. Mortes, destruição, tristeza, desespero... são palavras que não chegam para descrever o cenário que por lá se viveu. Como dizem os madeirenses, nem as imagens que chegam ao Continente chegam para se perceber o que aquelas pessoas estão a viver.

É certo que nenhum continente, país ou cidade está verdadeiramente preparado para "receber" uma catátrofe desta dimensão (que comparadas com outras, desculpem, mas não é "nada de especial"..) mas, a pergunta que coloco é: será que não se poderiam ter evitado alguna danos, se as construções não tivessem sido feitas numa quantidade desmedida mas sim com qualidade? Não se poderiam ter poupado algumas vidas?

Nunca vamos saber a resposta concreta para estas perguntas. De qualquer forma acho que todos, principalmente os nosso governantes, os nossos construtores, deveriam tirar uma lição desta tragédia que assolou centenas de madeirenses.

Construir em quantidade talvez não seja, MESMO, a melhor solução. 

Vidas Adiadas. Cicatrizes Permanentes.

"As associações de defesa das vítimas de abusos sexuais pediram a demissão do cardeal Sean Brady, primado da Igreja Católica na Irlanda.

Brady é acusado de ocultar do público casos de pedofilia que começaram em 1975, e de ter pedido às vítimas votos de silêncio.

Sean Brady defende-se: “Não tentámos abafar o caso. Acreditei nas vítimas. Disse ao bispo o que tinha acontecido e actuámos. Pensei no que se passou e no trabalho que fizemos para garantir a segurança das crianças ao longo dos anos e, francamente, a demissão não está na ordem do dia.”

Este é o antigo padre que agrediu sexualmente 20 crianças durante 40 anos. Brendan Smyth foi detido em 94. Morreu na prisão em 97, com 70 anos.

O bispo Brady disse no passado que se demitiria se demonstrassem que houve má gestão durante o processo. As associações de defesa das vítimas de abusos sexuais não aceitam esta situação.

Colm O’Gorman, fundador da Associação One in Four, que apoia vítimas de abusos sexuais: “O bispo Sean Brady sabia que as crianças diziam a verdade, mas simplesmente passou a informação ao seu superior e não fez mais nada durante 18 anos. E enquanto subia na hierarquia da igreja, Brendam Smyth continuava a violar e abusar crianças.”

O bispo da Irlanda afirma que apenas deixa o cargo se o Papa assim o entender.

Bento XVI, de acordo com um porta-voz, está determinado a lutar contra a escalada de casos de pedofilia nas suas igrejas, já que além da Irlanda, novos casos foram denunciados nos últimos dias na Alemanha, na Áustria, na Holanda e na Suíça.

Um autêntico escândalo internacional que está a enfraquecer a posição do Vaticano na sociedade e a manchar as escolas dirigidas pela Igreja Católica. "


40 anos.. 40 anos de abusos sexuais, psicológicos, morais... 40 anos de vidas adiadas, quem sabe arruinadas, para as 20 crianças que Brendan Smyth molestou.
A viagem destas crianças foi interrompida de uma forma cruel, indecente, intolerável, indescritível. Quem tem o direito de retirar a pureza e inocência de uma criança desta forma tão bárbara? Pior (ou não), que tipo de ser humano esconde estes factos do público e ainda pede votos de silêncio ás vítimas? Qual será o castigo "justo" para estas "pessoas"? Porque é que me parece que há determinadas pessoas que têm uma grande probabilidade de sairem impunes?
Se realmente se confirmarem todos estes factos, de informações ocultas e escondidas, penso que ninguém deve ficar indiferente, tratando-se ainda por cima de membros da Igreja Católica que serve de modelo para grande parte da população mundial e que, por isso, tem mais do que o dever de dar o exemplo em diversos sentidos. Não digo que os que pertencem à Igreja não sejam "humanos" como todos nós, no entanto, com todos os valores que a Igreja defende tão afincadamente, é absolutamente inadmissível que, se se confirmarem estes factos, um membro da Igreja Católica tenha escondido informações deste carácter e, outro, tenha molestado durante 40 anos crianças atrás de crianças.
Face a estas notícias que têm invadido as notícias a que todos nós assistimos não consigo dizer muito mais.
Acho, no entanto, bom que todos nós tiremos um tempinho para reflectir sobre estes casos, sobre o facto de estas crianças nunca mais poderem ser as mesmas e sobre o facto de que basta uns instantes para se retirar a "pureza" a alguém, mas que será preciso uma vida(?) para tentar cicatrizar a ferida.
E a cicatriz vai sempre ficar feia, não apenas uma linha perfeita na pele destas crianças...

segunda-feira, 15 de março de 2010

Take It Easy My Brother Charles - Jorge Ben Jor





Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor

Pois a rosa é uma flor
A rosa é uma cor
A rosa é um nome de mulher

Rosa é a flor da simpatia
É a flor escolhida no dia
Do primeiro encontro do nosso dia
Com a vida querida
Com a vida mais garrida
Take it easy Charlie

Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor

Depois que o primeiro homem
Maravilhosamente pisou na lua
Eu me senti com direitos, com princípios
E dignidade
De me libertar

Por isso, sem preconceitos eu canto
Eu canto a fantasia
Eu canto o amor, eu canto a alegria
Eu canto a fé, eu canto a paz
Eu canto a sugestão
Eu canto na madrugada
Take it easy my brother Charlie
Pois eu canto até prá minha amada
Esperada, desejada, adorada

Take it easy my brother Charlie
Take it easy meu irmão de cor
Charlie, take it easy my boy
Take it easy my friend
Olha como o céu é azul
Olha como é verde o mar
Olha que sol bonito, Charlie

Take it easy my boy
Take it easy my friend
Tenha calma meu amigo

Austrália


Todos nós temos a nossa viagem de sonho. A minha é à Austrália. Não sei bem porquê. Talvez por ficar do outro lado do mundo. Acredito que todos nós desejamos por vezes estar, mesmo, do outro lado do mundo. Foi talvez a pensar nisso que decidi criar este blogue, porque acredito que aqui possa estravazar algumas das coisas que me fazem, por vezes, desejar estar do outro lado do mundo...





Todos nós, por diversas razões, temos as nossas viagens adiadas. Viagens amorosas, viagens profissonais, viagens de sonho, viagens de amizade, viagens... Por exemplo, a minha viagem à Austrália está bastante adiada, principalmente por razões monetárias é certo, mas também porque acho que ainda não é o momento certo para a fazer. Se pensarmos bem, muitas vezes embarcamos numa determinada viagem, seja ela de que carácter for, e sentimos que ainda não estamo preparados para tal e talvez seja por isso que depois nos arrependemos disto ou daquilo e sentimos que não aproveitamos essa viagem como secalhar aproveitaríamos se tivessemos tirado tempo para pensar nela.


Por outro lado, a vida é uma viagem. Uma viagem adiada. Contrapondo o que disse anteriormente, passamos a vida a adiar sonhos, vontades e desejos. Ás vezes por medo, outras por cobardia e outras por causa dos que nos rodeiam. Será que devemos mesmo pensar antes de embarcar na viagem do dia seguinte? Será que devemos hesitar quando dentro de nos queremos embarcar? Sinceramente.. acho que não.


Talvez o que estou a escrever não faça sentido nenhum.. ou talvez faça. Acho que se cada um de nós olhar para a sua própria vida se vai identificar com alguma coisa do que aqui disse.


Desde Maio de 2009 embarquei numa viagem. Não pensei antes de embarcar, nem verifiquei o preço do bilhete. Não sei se comprei bilhete só de ida ou se chegarei algum dia a comprar o de volta, nem sei se terá volta. A única coisa que sei é que todos os segundo têm valido a pena.